domingo, 9 de dezembro de 2018

Sarau Elas por Eles - Palavra de Mulher




Entrevista Mulheres na Cultura - Fundação Cultural Cassiano Ricardo








Entrevista Flit Taubaté com Conceição Molinaro




A partir de 40min



Entrevista Vanguarda Comunidade - Carlos Abranches - livro: Eu, professor







Entrevista Vanguarda Comunidade - Carlos Abranches




Assistir em http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/vanguarda-comunidade/videos/t/edicoes/v/literatura-regional-bloco-1/3692907/


Entrevista - Tao da Letra para Giselle Lourenço







domingo, 2 de dezembro de 2018

Mostra Pedagógica Escola Barão de Jacareí - Mistérios do Vale - 2018







Jornal O Lince - julho/agosto 2018




Crônica

Cicatrizes

Eu tenho algumas cicatrizes no corpo. Outro dia, minha filha percebeu uma no meu rosto. Achei muito interessante ela não ter notado antes; ela tem nove anos e só recentemente se deu conta da mesma. Passou a mãozinha e perguntou como me machuquei. Também ocorreu com uma colega de trabalho. Numa manhã, de repente, me olhou mais atenta e disse: ‘”Nossa, mas você tem uma cicatriz no rosto! Nunca tinha notado.” Logo em seguida, disparou se eu não me incomodava, se não tinha como fazer uma pequena plástica e arrumar; eu achei muita graça e ri, enquanto ela me olhava sem entender.

Eu gosto das minhas cicatrizes. Calma, não é loucura. Creio que por serem, de certa forma, discretas, não me ocupam o pensamento. A do rosto é realmente um pouco maior, difícil de passar despercebida por muito tempo, mas não me incomoda. 

Tenho uma cicatriz perto do calcanhar, foi um corte feio num pedaço de arame, quando tentei passar por baixo de uma cerca em um pasto imenso onde e eu e meus irmãos estávamos brincando, quando crianças. Tenho algumas no joelho, pois fui uma criança muito arteira que corria, pulava, subia em árvores, caía de escadas, caixotes e gostava de “voar” na pequena rua, sem asfalto, onde morávamos. 

Tenho pequeninas cicatrizes nas mãos, que foram diminuindo conforme fui crescendo, por tentar usar a faca para descascar laranjas, fazer brinquedos e alisar varetas, dentre tantas outras travessuras. Tenho também as marcas do tempo, era magra, engordei, emagreci, engordei, emagreci; tive dois partos, amamentei... O tempo está passando e as rugas estão acentuando, meus cabelos digladiando com os fios brancos que insistem, e, ainda, tem a celulite companheira... Sim, definitivamente, eu não sou a mesma menina, cresci, amadureci, vivi e vivo intensamente o que a vida me presenteia e, muitas vezes, me impõe. 

Mas, voltando para a cicatriz que tenho no rosto, eu tinha menos de seis anos e cai na calçada quando minha mãe me levava para uma consulta médica, foi um corte horrível na região superior do olho direito. Chorei muito, senti muita dor e demorou para cicatrizar. Com o passar dos anos, ela foi diminuindo. Quando, aos dezenove anos, me apaixonei por ele, na segunda vez que saímos juntos e não foi quando me beijou pela primeira vez, ele passou a mão pelo meu rosto de moça enamorada, acariciou-o, depois olhou nos meus olhos, levou a mão até a cicatriz, desviou o olhar do meu e a observou perguntando como eu a tinha conseguido; contei, ele me olhou com ar sedutor de quem imaginou o quanto eu deveria ter sido traquina, depois olhou novamente dentro dos meus olhos e me beijou. Não foi nosso primeiro beijo, mas naquele momento senti que não seria o último. 

Então, a cicatriz continuará ali; e, também, o frio que sinto no estômago quando a memória daquele beijo se encontra com a imagem que vejo no espelho me fazendo sorrir e franzir a testa em cumplicidade. 


Sônia Gabriel




segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Tempo de eleições - 2018



Podemos conversar? 


Como professora, aprendi que há um momento propício para a aula dialogada. Claro que aqui não é uma aula, mas creio que agora, nesta semana decisiva, é uma boa hora para esta prosa. Eu não discuto política por redes sociais, não por achar que não precisa, mas por ter espaços presenciais em que faço isso constantemente e prefiro. Sim, política faz parte da nossa vida diariamente e não se resume (mesmo) ao período eleitoral ou aos nossos interesses pessoais exclusivamente.
Mas estamos em período eleitoral, então, teço algumas considerações que peço me permitam compartilhar.
1- O voto é livre, secreto, individual, nós podemos nos manifestar sobre nossas escolhas - Por estarmos numa DEMOCRACIA, não esqueçamos disso.
2- Apesar do voto ser individual, ele não atinge apenas a nossa vida, pois vivemos em sociedade. Pensar nas necessidades coletivas é um dos maiores exercícios de cidadania.
3- O voto não é uma ARMA do eleitor, é um INSTRUMENTO do cidadão que deve ajudar a realizar as transformações que se espera que aconteçam.
4- Não pesquisar e valorizar nosso voto tem um preço muito alto com o qual arcamos por quatro anos até a próxima oportunidade. Não podemos ter preguiça. É muito importante procurar por nomes com os quais compartilhamos nossos ideais, trabalhos, valores e necessidades sempre pensando no coletivo. E, claro, não esquecer esses nomes depois do voto.
5- Precisamos conversar seriamente com nossos familiares, vizinhos e colegas sobre as eleições e os candidatos. É nosso papel não desanimar do nosso país. Todo o processo de descrédito favorece uma elite predatória que ainda "nada de braçadas" no Brasil. Conversar e discutir não é agredir, desrespeitar e desqualificar o voto diferente do nosso. Esse clima de tensão é desnecessário e enfraquece a força popular.
6- Finalizada a eleição, começa a parte mais difícil do voto, tendo eleito seus candidatos ou não: acompanhar, cobrar, questionar, participar, exigir que se realize o que foi proposto. NINGUÉM VAI SALVAR O BRASIL, NINGUÉM VAI GOVERNAR PARA NÓS BRASILEIROS TRABALHADORES EM EXCLUSIVIDADE, NINGUÉM VAI RESOLVER A NOSSA VIDA! Nós governamos juntos quando escolhemos e atuamos acompanhando e cobrando. Caso contrário, já vivenciamos que somos apenas número útil.
Não podemos mais permitir tanto desrespeito para conosco, somos trabalhadores! Não podemos mais permitir tanto desrespeito para conosco, somos cidadãos!
Boa semana para todos; boas reflexões para todos e que possamos chegar ao final do domingo com muita energia democrática, muito respeito pelas diferenças de pensamento e em paz! Sigamos!


Sônia Gabriel