E assim caminha a humanidade... ( Publicada no Jornal de Caçapava de 20 a 26 de novembro de 2009)
Andar é do homem e o homem tem um jeito único para seu andar. Andar é mais que colocar um pé após o outro. A humanidade anda para chegar, para fugir, para mudar, hoje anda até para emagrecer. Lotam-se as ruas e avenidas de carros, ônibus, motos, uma violência insana se manifesta neste novo campo para disputas que em nada lembram antigas justas; o homem sempre inventou maneiras de tornar mais ágil seu andar.
A humanidade também anda para rezar, louvar, peregrinar, pagar promessas, se purificar. As procissões são antigas manifestações de devoção que me intrigam. Fico imaginando o que motiva cada um daqueles fiéis, caminhando, compenetrados, cantando ou em silêncio; imagino o quanto pesa cada passo. Encanta-me os cânticos, a voz una formada de tantos clamores.
Ainda menina acompanhava, com meus pais, as procissões para Santo Antônio; procissão da Semana Santa, tão triste e reflexiva. Nem sonhava que, um dia, elas seriam tarefas, questões antropológicas contidas na História e Sociologia.
Cheguei a São João Del Rei, conhecendo a Estrada Real e perambulando por trechos que antigos tropeiros também percorreram. Estavam repletas de imagens de ouro, casarões coloniais, ruas estreitas com seus heróis, amantes, traidores, escultores, pintores, padres, gente em sua mais profunda essência. Ainda faltava algo. O Universo sempre conspira a favor, uma procissão!
Tarde de domingo, céu de brigadeiro, impecável, captado e imortalizado em inúmeras fotografias, meu entusiasmo era tanto que a máquina parecia disparar sozinha. Os sinos eram tocados por dois homens, cada sino precisando de dois homens. Imaginem o tamanho destas relíquias do tempo.
A procissão partia da porta central da igreja prá lá de centenária, seguiam-na padres, diáconos, coroinhas, querubins brancos de rostinhos quase barrocos e meio arlequins com suas mal gestadas asas, seguiam ainda a irmandade, fiéis, senhores e senhoras negros com cabelos completamente brancos (lindo!), finalmente a banda e depois da banda, eu, inebriada com tantos véus, hinos, bandeirolas coloridas, mastros e estandartes, o andor ricamente decorado, o menino Jesus sentadinho na cadeirinha... Ah! É claro! As pessoas andando. O que pensava cada uma delas? Seus motivos para a caminhada? Jamais saberei, mas da beleza daquele momento parado no tempo, minha alma se preencheu.
Sônia Gabriel




















Foi muito bacana, ficamos impressionadas, Pércila e eu, com o interesse da turma e a atenção que nos dispensaram. Valeu! Nos divertimos e a noite foi muito agradável.



















