quarta-feira, 16 de março de 2011

Coluna Crônica Jornal de Caçapava: Coisas sobre o tempo.

(Jornal de Caçapava, 11 de março de 2011)

Não consigo ter pressa desde que fui forçada a parar. Hoje, organizo meu tempo de acordo com as necessidades reais de sobrevivência de meu corpo e de minha alma. Desde que consegui aprender a viver nesta paz organizada, acham que não tenho tempo para nada. Nada talvez seja o que a sociedade considera importante. É um jorrar de tudo que não é essencial, mas transformou-se em.
Urge que não possamos ser felizes?
A felicidade é referente ao que nos faz sorrir sem culpa.

Sorrir por jogar-se no sofá sem culpar-se por estar à toa. Estar à toa não se pretende ao vagabundear (se bem que nada tenho contra).
Sorrir por desmarcar qualquer coisa importante em absoluto e ir tomar um sorvete com seus filhos.
Sorrir por amar o tradicional sem preocupar-se com as modernidades que espantam a sedução de minha parca inspiração.
Sorrir dos choros perversos que não suportam a falta de solidão que nos invade. Que remédio! Também para ela, a solidão, é dada existir.
Sorrir das bagunças infantis, das pendengas matrimoniais que sempre se esparramam e resolvem-se nos lençóis amarrados.
Sorrir das exigências maternas, maduras, que insistem que não cresçamos e que não sentem que já temos por quem, também, olhar.
Sorrir das louças chamando, da vassoura comandando, rodos perseguindo-nos.
Sorrir, correr, jogar-se no sofá chamando ‘Vem gente! Venham comigo. Vamos apreciar o tempo!’.

Sônia Gabriel

3 comentários:

SONYA MELLO disse...

Sônia, não sei precisar agora, o autor da seguinte frase: "Fiz um pacto com o tempo: nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Um dia a gente se encontra!" Seu texto me fez refletir... Todos temos 24 horas por dia e cada um de nós decide como gastará esse tempo, não adianta correr "atrás do tempo perdido", cada ano que passa, é um ano a menos na contagem da história de nossas vidas, já pensou nisso? Eu não quero nem pensar... principalmente, porque não pretendo "morrer"! Parabéns! Bj

Lu Saharov disse...

Sônia, querida!
Não canso de me deliciar com suas crônicas!
Beijão com saudades!
Lud

Mistérios do Vale disse...

Ludmila e Sonya, vocês são muito gentis. Posso apenas dizer que tenho estudado e vivido bastante, feito a lição de casa.
Ludmila, as professoras são todas muito competentes, tenho que aprender um pouco, não tenho? Também estamos com saudade de sua alegria e de sua beleza por terras valeparaibanas. Volte logo. Beijos
Sônia Gabriel