domingo, 16 de fevereiro de 2014

Coluna Crônica Jornal de Caçapava: Nosso tempo natalino.


(Jornal de Caçapava, 22 de novembro de 2013.)
Neste tempo em que nos preparamos para o Natal, lhes fiz um desafio, lembram-se? Pois bem, vamos seguir com nossa reflexão sobre o valor de um presente natalino?
Que tempo é este? É, como na infância, tempo bom de sonhar despreocupados com tudo? Não. Não tem mais esse cheiro, esse perfume resultante da alquimia do coração, da fé, da esperança de que dias melhores, sempre melhores, virão. Fantasiamos os dias com uma felicidade que não perpetua após o ano-novo. Já fui mais otimista em relação ao consumo, se é que posso dizer isso; ou talvez o consumismo fosse menor e me apavorasse menos, mas a cada ano tenho me assustado deveras.
Sim, estamos consumindo demais. O descartável tem preenchido nossas casas, armários, bolsas e tornado perecíveis nossas almas. Com que facilidade nós trocamos móveis, roupas, calçados; como necessitamos de acessórios não necessários... O supérfluo tem se tornado imperioso para que não nos atolemos no vazio de dias tão individualistas. Mentimo-nos.
Não precisa ser assim, não precisa ter um preço tão alto, não precisa entregar tudo... A felicidade, pasmem, ainda é de graça. Nada de apologia à pobreza nem ao senso comum (nos imposto, é claro) de que dinheiro não traz felicidade. Não é disso que se trata. Mas, só dinheiro não traz mesmo, nem manda buscar, é só prestar atenção. Ter sabedoria para ser feliz na abastança é um exercício difícil.
Neste Natal, se faça o presente. Se ofereça de alma aberta no melhor que tem para ser motivo de paz, motivo de alegria; agente de um respiro, um suspiro, uma brisa. Claro que receber e dar presentes são imensos prazeres. Mas ter parcimônia para não passar de nossas posses é sabedoria. Pense naqueles que ama e presenteie...
Escreva a melhor carta do mundo, a mais delicada, mais enfeitada, mais perfumada. Envie.
Faça o bolo mais generoso, mais colorido, mais carregado de sua dedicação. Convide para o café.
Faça mudas de flores, das suas flores. Distribua com o sorriso mais largo da sua vida.
Seja criativo!
Compre menos, se doe mais. Se endivide menos, inicie o ano com menos angústia pelo que não pode comprar e cheio de satisfação pelo que pode oferecer de bom, de si. Não desejemos tudo de uma vez, não nos atropelemos por tudo que nos empurraram, durante os comerciais, pela goela abaixo. Tudo, afinal, é uma grande bobagem para nos tirar a atenção do que realmente importa. Bom saber isso.
Vamos tentar?
Continuo recebendo suas considerações: soniamgabriel@gmail.com.

Sônia Gabriel


Um comentário:

Sil santos disse...

Parabéns, Sônia.
O texto faz que refletamos sobre o tempo em que um abraço, o beijo e a presença eram essencias nas nossas vidas e não a troca de presentes, a loucura das compras e depois... a preocupação de quitarmos as dívidas.
Valores como esses que devemos repassar para nossas crianças.

abs