
Sônia Gabriel
Entre! Esteja em casa. Venha desvendar conosco os mistérios, os saberes da cultura valeparaibana. Estando a gosto, volte sempre!

Eis a flor de minha maturidade, horas após chegar ao mundo. Bárbara já está mais chorona, mais forte e mama como uma desesperada, dizem que crianças muito pequenas são assim mesmo. 
Caros amigos, se puderem, leiam a coluna Memória do Jornal Valeparaibano. O assunto desta semana, dia 10/02, é sobre a Escola Rui Rodrigues Dória (Santana), antiga Escola Paroquial Olivo Gomes. Fala também sobre seu fundador Monsenhor Luiz. O texto é da Isabela Rosemback, está muito legal!
(Publicada no site da Revista Caros Amigos, setembro de 2004)
Foto: A caminho de Paraty -2009 -Sônia Gabriel.
O que é ser belo?
“Eta” perguntinha difícil! Todo dia diante do espelho milhares de pessoas se olham, se admiram, se odeiam, se envergonham, se questionam sobre o belo. Tentando cuidar da saúde procurei um conceituado endocrinologista. Eu sou lenta, aliás, faço um esforço imenso para não ser, mas sou lenta. O médico preocupado com tanta lentidão colocou-me diante de um espelho e perguntou o que eu via. Sei lá o que eu via, dizem que a gente nunca se vê de verdade. Não somos, segundo os psicólogos, tantos ao mesmo tempo? O certo é que ele, muito gentilmente, disse que a minha demora é por conta da aceitação: “Você é uma mulher bela, se aceita”.
Será que alguém nesse mundo apressado eladar da minhante chega aquela como todas as outras mulheres fazem mas que nela se destacam mais., beijos e afagos e para mim e tão virtual se aceita? Quando a gente liga a televisão, abre o jornal, as revistas... É sempre a mesma coisa. Produtos de beleza, fórmulas milagrosas, cirurgias plásticas... Tudo bonitinho e embaladinho nos chamando, nos seduzindo para alcançar a beleza ideal. E quem já não se sentiu tentando a seguir uma dessas fórmulas milagrosas?
Mas afinal como é a beleza ideal?
Para os antigos gregos (nada mais propício do que citá-los agora) a beleza expressava um modo de vida do cidadão. O grego belo era aquele que praticava exercícios físicos, zelando sim pelo seu corpo, mas era também aquele que aprendia música, discutia política, tinha gosto pelo conhecimento e pelas artes. A beleza tinha que ser construída, não era apenas o físico, tinha que ser plena também no espírito.
E foi sentada aqui diante do computador, estudando sobre a beleza que a memória, aliás, na Grécia também ela é uma deusa, me trouxe um exemplo de beleza.
No início do ano, estávamos aguardando a professora que nos ensinaria o que é posicionamento filosófico na prática do dia-a-dia, de repente chega uma mulher baixinha, baixinha mesmo, com um salto altíssimo de fazer Luis XV se torcer de inveja, cabelos loiros, olhos claros grandes e expressivos, escancarando uma saia curta que lhe revelava pernas comuns como as de qualquer outra mulher, mas que ela ostentava com segurança. Enfeitada com brincos, pulseiras e colares como todas as outras mulheres fazem, mas que nela se destacam mais. Detalhe: ela tem um porte físico que está longe dos ditos padrões de beleza e carrega a maturidade de quem sabe ser bela acima da idade ou dos quilos a mais que se tenha. Poucas vezes estive diante de uma mulher que se encaixasse tão bem numa beleza plena. Ela é bonita de se ver, de se ouvir e de se sentir. Uma mulher perfumada, aconchegante que fez de nós, mulheres adultas, uma turma de crianças, nos incomodou, nos inspirou, nos ensinou, nos acolheu e se despediu como aquela nossa professora de jardim: com abraços, beijos e afagos. Deixou a sua marca, a lembrança de sua presença. Quanto a mim, tive metade de meu caminho facilitado na compreensão do que é, afinal, o belo.
Sônia Gabriel

O Museu do Folclore esmerou-se, os integrantes das Folias estavam contentes, sentiram-se homenageados e acolhidos, respeitados e valorizados em seu saber, como deve ser sempre!

(Publicada no site www.portalpinda.com.br em dezembro de 2008)
Todo ano é a mesma coisa: correria, dívidas, gente empurrando, criança chorando por presentes, pais estressados socando filhos em frente às lojas abarrotadas de pessoas falando em crise. Atitudes extremamente contraditórias a um momento que nos oferece oportunidade de reflexão sobre nossa humana condição.
Mas um olhar mais atento sempre nos salva, aquele olhar cuidadoso que consegue se perder na multidão e apreciar beleza espalhada em pequenos gestos com ares de grandiosidade de alma.
São aquelas coisas que nos emocionam e não nos permitem enfraquecer e nos lembram nossa condição especial de estarmos vivos e sermos felizes...
Foi numa terça-feira, 06 de dezembro de 2005, noite.
A família entrou num shopping da zona sul de São José dos Campos.
Pai, mãe e filho admiravam a decoração de Natal quando o menino, já contando seus sete anos, perguntou-lhes se ainda poderia ir até Papai Noel. Claro que percebeu que só havia menores na fila. O pai entendeu logo o intento.
Fascinado por doces, tinha a clara motivação de conseguir a bala que o Bom Velhinho distribuía aos ansiosos pequenos.
Ele, o menino, usava aparelho ortodôntico e não podia se deleitar tanto quanto gostava com sua grande paixão.Meio encabulado e de mansinho se aproximou da simpática figura de vermelho.Papai Noel abraçou sua cinturinha e começaram a conversar. A conversa se alongou e o pai, atarefado, o chamou. Papai Noel foi categórico: ‘ espere um pouco, por favor’. Os pais sem entenderem, se resignaram a esperar.
E continuaram os dois a conversarem. Papai Noel, pensativo, mais calado.
Os pais se apoiavam envergonhados com tanta gente olhando e demonstrando irritação com a demora. Um garotinho correu e se jogou no colo de Papai Noel exigindo logo a sua vez.
O Bom Velhinho então deu ao seu colega de prosa a esperada bala, abraçou-o paternalmente mais uma vez e se despediram.
Papai Noel olhou para os pais do menino com os olhos marejando e lhes disse que seu filho o havia emocionado. Eles pegaram o garoto pela mão e saíram, olharam-se sem entender direito enquanto o garoto se deliciava com a bala.
O homem, finalmente, perguntou o que havia afinal conversado tanto e ele lhes contou: “Nada demais papai, ele me perguntou o que eu queria de Natal e eu disse que não queria nada, tenho tudo que preciso. Ele ficou me olhando e falou de novo que eu poderia pedir alguma coisinha então. Pensei e falei para ele que eu queria que todo mundo que não tem nada ganhasse alguma coisa e que ninguém no mundo inteirinho fosse infeliz. Ele ficou quietinho e depois disse que esse pedido é muito difícil, mas que ele ia ver o que poderia fazer”.Pai e mãe se calaram e deixaram que ele aproveitasse seu doce naquele momento ainda mais doce e angustiante para quem já não consegue imaginar o pedido realizado.
É como se a pobreza e a tristeza fizessem parte de nossa natureza. Emocionamos-nos com um amargo de resignação, mas será que não pode ser realmente diferente?