segunda-feira, 28 de março de 2016

Jornal O Lince - Texto sobre Bruno Roberti - 20/06/2015



"Muito feliz com o carinho e espaço dado em matéria de 2 páginas do jornal O Lince, o mais tradicional em artes e cultura do Vale do Paraíba. Adorei a entrevista e o lindo artigo assinado pela escritora e historiadora Sônia Gabriel. Sem palavras. Muito obrigado! Foto: Thais Lima." De Bruno Roberti.








terça-feira, 22 de março de 2016

Espetáculo Ventos Antigos no Espaço Cultural Carlos Guedes - Jacareí - 2015.


Fotos: Domênico Trocino.


















Para guardar: Giselle Lourenço.


Como não guardar uma gentileza tão especial dessa moça que escreve, lê e interpreta livros e o mundo muito bem!

"Caríssimos escritores e poetas (e cordelistas): Ludmila Saharov, Paulo Roxo Barja, Dyrce Araujo, Sônia Gabriel e Zenilda Lua,Toda a obra de Cora Coralina está perpassada por uma dialética de "retirar pedras e plantar flores". Em nossa dinâmica do Chá com Cora, os participantes (em sua maioria, professores) foram convidados a retirar alguma pedra incômoda, seja do âmbito pessoal ou social. Essas pedras eram retiradas dessa peneira e, à medida que retiravam, encontravam por baixo um fragmento de autoria de algum de vocês. Levaram para casa o fragmento para meditação - todos com temáticas sobre valorização, otimismo, encontro, retomada... E junto com o fragmento, também levaram sementes de petúnia para plantarem essas flores e cultivá-las para que vejamos o seu crescimento, assim como estarão mais atentos às pedras e crescimento de flores em figura de linguagem na vida cotidiana. Obrigada pela contribuição! Vejo vocês nos versos! Bom domingo! ‪#‎ChácomCora‬."




Paz e bem!
Gratidão.


"Palavras que moram em nós..." apresentado no Museu de Antropologia do Vale do Paraíba.




Apresentação do livro "Palavras que moram em nós..." em 2015, no MAV - Jacareí.
Mediação de Carlos Abranches com a presença dos alunos autores e professores idealizadores.











Para Guardar: Juraci Condé.





Ser mediadora na Ciranda de Poesia de Juraci Condé foi um presente que alimentou conversas, trabalhos e projetos que nascem com a  força das palavras.
Paz e bem!




Zenilda Lua, eu, Juraci Condé e Brasilino Netto.




Imagens do Sarau Papyrus de Mim - FCCR - 2015






Obrigada pelo convite e pela acolhida, Mírian Cris.
Paz e bem!



Participação com o livro "Ventos Antigos" no Festival da Mantiqueira - 2014



Para Guardar: Presente da Ludmila.




Recordação boa daquela aluna querida que lhe escreve contando que se não fosse você não teria feito uma linda viagem pelo Vale do Paraíba. Ah, esses Mistérios do Vale!

Paz e bem!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Coluna Crônica Jornal de Caçapava: Muda de felicidade.




(Jornal de Caçapava, 04 de março de 2016.)


Manhã de domingo sem horário de verão, deu pena de mim. Sim, sou daquelas pessoas que amam o horário de verão, pois gosto da claridade. Quanto mais demora em anoitecer, mais feliz eu sou. Gosto de sair no final da tarde, e ainda ter luz natural, para organizar a rotina da casa, papear com as amigas e tomar sorvete com a criança que me alegra os olhos.
A manhã estava menos manhã, ainda preciso de alguns dias para me acostumar. O sol já queimando a moleira. Passei café, ajeitei as torradas no prato, os servi. Meu marido me convidou para comprar uma muda de jabuticabeira para fazer companhia para a muda de acerola que já está firme na terra. Ele acha bonita a árvore. Contei para a menina, que agora ela terá que se dividir entre ser Emília e Narizinho, pois a segunda se deliciava com as bolinhas pretas tão docinhas. Fiquei sonhando com a árvore crescendo, se espalhando pelo quintal, gestando sombra para os finais de tarde em que estarei sentada no banco de jardim que ainda providenciarei. Sonhei profundo a ponto de sentir o cheiro da fruta.
A muda ficou me olhando com aquele jeito soberano de quem sabe que vai ser alta, frondosa, produtiva, cheirosa, sedutoramente verde. A muda sabe a árvore que será sendo a terra boa, o adubo farto, a alegria chovendo na quantidade certa. A muda sabe de si. Sábia, ela aceita os cuidados para ser o que sabe que será.
Continuei de prosa com a jabuticabeira enquanto ia aconchegando, no carrinho, as mudas de alface, de pimenta, de capim-cidreira, de manjericão, de flores que abrem onze horas, já que o horário de verão acabou.
Estou fazendo um quintal que tem gente que acha que será uma horta; tem gente que acha que será um jardim; tem gente que acha que será um pomar; e eu sei que será um tanto de cada, pois a muda mais importante que estou plantando é um bocadinho de felicidade. Felicidade que nem manhã de domingo, que nem tarde de sábado, que nem noite de sexta-feira quando saímos para namorar. Estou plantando muda de felicidade que nem manha de bebê da gente, que nem sorriso de menina que vai para o primeiro ano escolar, que nem marido que nos acompanha até a feira, que nem amiga que combina café no Parque Santos Dumont só para estarem juntas celebrando poder estar junto.
Estou plantando muda de felicidade e pedindo a Deus para saber adubar, regar e amar o suficiente para que ela jamais volte a me abandonar. 
Boa colheita para todos nós!

Sônia Gabriel


domingo, 15 de novembro de 2015

Coluna Crônica Jornal de Caçapava: Por quem dobram seus joelhos...



(Jornal de Caçapava, 13 de novembro de 2015.)


Estive em Aparecida sábado passado. Levei minha mãe e minha tia acompanhadas dos meus filhos. Mas antes de tudo eu me levei. Retomo meus escritos sobre o Vale do Paraíba. Essa caminhada que começou pelos mistérios, passando pelos personagens enigmáticos, agora se direciona para os lugares e as pessoas que dão vida à paisagem. Sim, sempre as pessoas.

Reinicio minha caminhada por Aparecida, cidade que nasceu de uma das mais belas histórias do rio Paraíba do Sul. Uma história de fé dos pobres, fé dos piraquaras, fé dos negros escravizados. Fé dos milhares de romeiros que, a cada ano, se dirigem para as margens, agora distantes, do rio de águas sagradas.

Aparecida é uma cidade que, à primeira vista, pode não seduzir olhos estreantes pela beleza. Ruas apertadas, morros, excesso de comércio e ambulantes que impedem um caminhar mais sossegado. Confesso que aprecio mais os arredores da antiga Basílica: história, lenda e devoção se entrecruzam com a diversidade de cores e pessoas. Jovens, crianças, idosos carregando as marcas do tempo e um semblante de esperança do que buscam.

As pessoas são o que de mais especial encontramos em Aparecida, além, claro, da substância do conceito de mãe. Isso ainda mistério para a humanidade.

Já tive a tentação e pouca humildade de achar absurdo alguns pagadores de promessas; quando via aquelas pessoas se arrastando, ajoelhadas, me vinha a soberba de pensar que era demais. O tempo, o amadurecimento e a vida se encarregam de nos dar as, realmente, importantes lições. Hoje, quando vejo os pagadores de promessas, em sua entrega mais profunda, só me vem ao pensamento que cada um sabe por quem dobra seus joelhos.

Sim, por quem. Por si mesmo, por outros; sempre por quem.

Desta feita, passei na redação do jornal O Lince, conversei com Alexandre Lourenço Barbosa sobre livros, jornais, histórias e pessoas as quais prezamos muito. Ganhei livros muito especiais e tomamos um café maravilhoso feito por sua esposa. Depois de “romeirar”, passando pela passarela, olhei com olhos de amor aqueles que dobravam seus joelhos e pensei nos tantos viveres nossos de dores, alegrias e gratidão.

Amém!

Sônia Gabriel


Típica...








segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Coluna Crônica Jornal de Caçapava: Considerações de fim de tarde.


(Jornal de Caçapava, 29 de maio de 2015.)





Coluna Crônica Jornal de Caçapava: Passado que alimenta a poesia.



(Jornal de Caçapava, 24 de abril de 2015.)


Por esses dias, estive numa apresentação musical no Cine Santana, espaço que preenche a geografia e as emoções de quem vive e ou trabalha (como eu) no mais charmoso bairro de São José dos Campos. Em se tratando de lugares há aqueles que são suntuosos, chiques, populares, da moda, glamourosos; mas pouquíssimos, nos dias de hoje, têm alma autêntica. Santana é um bairro que além de muitas outras agradáveis características, tem essa alma, um jeito tão peculiar que nenhum outro bairro poderia se igualar. Coisas que só entende quem sempre atravessa a ponte seca.

Mas voltando ao Cine Santana, recebi das mãos do autor Jorge Pessoto seu livro “O Pretérito das horas” quando da minha ida para apreciar boa música. Delicado presente que muito me honrou. Agradeci a gentileza e me propus a ler durante a semana, pois os dias estão lotados de apostilas para dar conta de técnica leitura. Já em minha casa, a curiosidade foi mais urgente. Li de uma tacada só, pois é prazerosa a caminhada por suas linhas cheias de “saudade”; “tesouros perdidos” até que alguém se preste a procurá-los e mereça achá-los; moças esperando amores; “poetas embriagados” que creio saibam viajar pelo passado e pelo presente e “poetas falidos” (intrigante, eu admito). Jorge Pessoto escreve como quem fala de um parente muito próximo, escreve com intimidade com as vielas que se propõem a eternizar. Contraditoriamente, viajei tranquila pelas antigas ruas lapidadas por suas histórias em versos; ruas que ele diz esquecidas, das mortas cidadelas das quais ele não se esquece. E por não esquecer-se as mantém vivas. Se agora é nesse exato momento, o passado é uma imensidão de, licença poética, agoras que faz aquilo que chamamos de hoje.

O Vale do Paraíba é assim, real ou fictício por desejo ou por ignorância daqueles que dele querem o que querem. Sinto que o autor se alimentou da vontade nascida de uma saudade (a que ele tanto recorre, legitimando-a), reconhece e nos entrega o “O Valor das Miudezas”, nos descrevendo a velha costureira e eu imagino, a partir de sua descrição, que o melhor que costurava eram os sonhos; que o que dava liga aos seus cozinhares era carinho; que de tão singela alimentou o imaginar do autor. Cidades mortas cheias de gente viva, com pessoas que esperam enquanto descansam da labuta e anseiam pela colheita e zelam pelas plantas e esperanças, amados pelo Paraíba e pela Mantiqueira enigmáticos. Vale do Paraíba, dos que andam por suas ruas, margens e morros...

Naquela página fiandeira, lamentei pelos vestidos nascidos “para as missas / E, raramente, para casamentos.”, pois eu amo casamentos. Ah, as donzelas que Jorge Pessoto descreve; melhor lerem, sinto que guardam histórias que não podemos. E aqui, me atrevo a considerar, Jorge, que quando os “sonhos escapam” é para viverem, sonho quer ser realizado, escapa para SER. Dos seus que escaparam encontraram-se com a impressora, acertei? Mas se os sonhos escapam, a alma foge para a rua, pois na rua o olhar para o casarão é mais amigo e se “a alma quer um porto” o busca por meio da poesia. Percebo os amores que quase fogem do controle do seu teclado, mas não se evidenciam deixando sempre um ar de mistério de algo que ainda não foi dito; há um aparente romance entre a alma e o tempo em seus versos, ambos se desencontram, o autor aqui se torna o arquiteto a construir ruelas, ladeiras, janelas e praças para que esse encontro se faça?

Encontrei muita graça quando em “O Passeio de Casa até a Praça”, a tinta desenhou “um sossego desesperador e inquietante.” E mesmo diante desse retrato vejo que o observador não se impediu de sorver as belezas do caminho e elas estão aqui linha após linha, carregadas das nuances, cores e humores do seu autor que enfim não esteve a “poetar inutilmente e sem sentido”.

Prezado autor, eu não sou talhada para a crítica nem nunca serei, meu ofício em relação às letras é outro, vivê-las e apenas. Não tenho a competência para analisar literariamente seu trabalho, mas posso como leitora dizer que foi um prazer ler suas linhas e me vi, sim, muitas vezes, caminhando por nossas antigas e sedutoras ruas vale-paraibanas repletas das histórias que eu tanto amo. Obrigada por escrever. Sucesso.

Sônia Gabriel