segunda-feira, 19 de agosto de 2013
ESCAMBO 79
Voltamos, caros amigos!
Este Escambo foi doação do cordelista Paulo Barja.
Que tal começar a semana com poesia?
Versos X Versos III, de Anézio Cláudio Bernardes.
Como sempre, ao primeiro comentário!
Paz e bem!
Sônia Gabriel
FLIT Taubaté - Mistérios do Vale - TV Cidade de Taubaté
Com as maravilhosas da Conceição Molinaro, Pércila Márcia, Dona Benta e Tia Nastácia, que boas companhias, hein!
Quem quiser ir direto, leve a barrinha até 0:41:35
Paz e bem!
Sônia Gabriel
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Coluna Crônica Jornal de Caçapava: Praga de Padre no rio Ariranha.
(Jornal de Caçapava, 12 de julho de 2013.)
Na Vila Barra do Ariranha acontecia de um tudo, dona Adenísia já tinha nascido, se lembra. Ela, muito menina ainda, frequentava a igreja com a mãe. As mães quando iam para a igreja levavam as crianças. Essa notícia se espalhou por toda a região. Teve um homem que já era casado e mentiu para o padre para poder casar, de novo, com outra pessoa, na igreja. A primeira esposa ainda era viva. Quando chegou a data do casamento, o padre descobriu na hora, e, se negou a casar o homem novamente. Um parente do homem buscou na casa dele uma espingarda e queria obrigar o padre a fazer o casamento senão iria matar o padre. Quando chegou perto da igreja armado, o padre saiu na porta, tinha uma escada, e disse para o homem que era para ele fazer o que tinha vontade, podia atirar naquela hora, mas a partir daquele dia tudo iria se acabar na cidade (vila), não seria mais o que era. Foi o que aconteceu.
A Vila Barra do Ariranha foi se acabando, o rio que era muito grande, com muita quantidade de peixe, o pessoal da região pescava, virou um córregozinho, as pessoas foram diminuindo. O que tem lá é só um pouquinho, mas era movimentado, tinha muita gente. O padre Frei Alfredo Maria do Coração de Jesus, naquela época eles adotavam um nome, foi ele quem rogou a praga e a coisa foi feia mesmo! Muita gente saiu de lá para sobreviver em outro lugar. Ficou só um pouquinho. Hoje em dia, eles já não fazem mais isso (rogar praga).
O homem que queria matar o padre foi embora com a espingarda nas costas, ele viveu muito tempo ainda, já andava com as pernas tortas, tinha problema para andar, mas muitos anos depois, Dona Adenísia o viu de novo e ele estava rastejando pelo chão, que nem um bicho, de barriga mesmo. O povo dizia que era castigo porque o padre, não importa quem seja, é uma autoridade, é um ungido de Deus, a palavra é poderosa, a gente tem que tomar muito cuidado, ela tanto abençoa quanto amaldiçoa.
Sônia Gabriel
Coluna Crônica Jornal de Caçapava: Tempo de Férias.
(Jornal de Caçapava, 05 de julho de 2013.)
Começaram os dias em que o frio já não me incomoda, férias. Hoje, levantei cedo para fazer uma mamadeira e enquanto subia a escada, fui tomada daquele sentimento materno de ouvir os ruídos da casa. Mãe tem disso. A casa parece se comunicar intensamente conosco, inclusive no silêncio. Muito perspicaz em ouvir-se em tal silêncio, foi a poeta Dyrce Araújo com o seu emocionante livro “Quando a casa dorme”. Ali, pertinho da escada, ouvi o ronronar de meu filho. Adolescentes dormem com o corpo largado na cama, edredom que se vire para cumprir seu papel. Aproximei-me da porta e me comovi ao vê-lo tão crescido, meu menino ficou pelo caminho, de vez em quando o vejo num deslize infantil de quem já se acha rapaz, olho para ele sentida de saudade de meu menininho e ele me sorri caridoso, mas tudo o mais que tem para viver vence, claro. Que assim seja!
Com a mamadeira querendo esfriar, caminhei pelo corredor, fechei a porta do banheiro, passei pelo quarto da pequenina (ela não está lá, óbvio), apaguei a luz e fui para meu quarto. Cama enorme tomada pela criatura de pijaminha, cabelos armados e lindamente desgrenhados, estica a mãozinha e pede a mamadeira, sorve o alimento enquanto acaricia a minha orelha e me olha com aquele pedido implícito de cuida de mim, eu sou pequenina, ainda sou da mamãe (ao menos é o que quero entender) e me realizo. O animal materno alojado em mim se realiza. Ainda estão todos aqui sob a proteção do lar, ainda me chamam, ainda sou a mamãe.
Nesta manhã fria, onde o frio não me incomoda, manhã de férias escolares, meus filhos reforçam o que já sei e prezo tanto: cheiro de casa, cheiro de manhã com chuva, cheiro de café, leite e pão com manteiga. Cheiros simples que me comovem, que alimentarão as manhãs em que eles já estarão distantes, vivendo suas aventuras planejadas desde hoje, no tapete da sala, enquanto o pai e eu cuidamos de tudo. Eles brincam, crescem, estudam, são felizes, sofrem apenas por bobagens e brigam apenas conosco. Bom dia para todos vocês...
Sônia Gabriel
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Mitos, Símbolos e História - Mesa no XXVII Simpósio de História do Vale do Paraíba
Caros amigos, novamente, conto com a torcida de todos. Amanhã, dia 26 de julho, participarei de uma mesa com Thereza Maia e Francisco Sodero, segue convite. Até lá...
Algumas imagens...
Olha que privilégio! Paulo e eu com Thereza e Tom Maia e Francisco Sodero.
Paulo Gabriel e Tom Maia, estes dois só aprontam...
Paz e bem!
Sônia Gabriel
Conferência sobre J B de Mello e Souza - 0 cronista do Rio Paraíba do Sul
Simpósio de História do Vale do Paraíba IEV - 2013
Aconteceu hoje, dia 25 de julho de 2013, em Aparecida-SP.
Foi uma conferência muito especial para mim. Falar para pessoas tão especiais sobre minha pesquisa sobre JB foi muito enriquecedor. Agradeço as contribuições, as dicas e considerações. Aprendi muito hoje. Agradeço a presença de todos, mesmo com tanto frio, me senti muito honrada.
O presente de Carolina Frick devidamente entregue, e registrado, ao Instituto de Estudos Valeparaibanos. Agradeço a confiança e generosidade de Dona Carolina.
Professores Nélson Pesciotta e Francisco Sodero me abriram as portas para a pesquisa, sou grata por isso.
Agradeço também o respeito, a disponibilidade e a confiança de Alexandre Barbosa, organizador do livro Grandes Escritores do Vale do Paraíba e presidente do Simpósio de 2013.
Gentileza de marido...
Gentileza dos simposistas.
Paz e bem!
Sônia Gabriel
quarta-feira, 24 de julho de 2013
XXVII Simpósio de História do Vale do Paraíba - 2013
Caros amigos, convite para...
Conheçam a programação no http://www.jornalolince.com.br/2013/jun/simposio/
Minha participação nesta quinta-feira, 25/07/2013
Conto com a torcida de todos vocês!
Paz e bem!
Sônia Gabriel
domingo, 30 de junho de 2013
Sob as lentes de Edna Medici
Há alguns dias, fui ao encontro de Edna Medici, fotógrafa conhecida, renomada, mas que eu conhecia apenas pela internet. Encantada com suas imagens profissionais, artísticas, mesmo as mais cotidianas, marquei para conversarmos e fazermos algumas fotografias para o livro Tempos Antigos que estou finalizando. O livro está sendo organizado à três mãos: esta aprendiz de escriba sonha, Zenilda Lua seleciona e André Paulo exercita seu talento para o desenho. Está sendo um encontro de gerações, de saberes, de amores, de sonhos e buscas. Mas, ainda estaria reservado um encontro. Quando cheguei ao estúdio de Edna, fui recebida com um caloroso e aconchegante abraço. Abraço mesmo, de gente generosa, nada formal, não adestrado socialmente. Me senti tão à vontade em seu sofá, laureado por um tapete macio, a ponto de me convidar a tirar os sapatos vermelhos presenteados por minha mãe. Vermelho tem alimentado meus dias de labuta. Conversamos sobre meu trabalho, sobre gostos, sobre família, sobre amor, sobre fartura e sua antagonista. Apreciamos o delicioso café da Selma e deixamos a tarde cuidar de nós. Ela o fez. Tudo novo para mim, fiquei observando Edna conduzir equipamentos, luzes, tecidos e eu. Descobri uma Sônia em mim que talvez não tenha espaço na correria do dia-a-dia e nas infindáveis tarefas profissionais e domésticas.
Diante e atrás da câmera, consideramos muito de nossa condição de mulheres, conversamos como velhas amigas o fariam, analisamos os simbolismos de nossa condição feminina. Já em casa, me lembrei das prosas 'clínicas' sobre maturidade. Como diz Dr. Urbano Carvalho, a idade chega de qualquer forma, como a recebemos faz toda diferença em nossas vidas. A força que temos para aceitá-la, vivê-la com sabedoria e alegria é o combustível colecionado durante os dias, cada dia de nossas vidas. Creio nisso!
Eu, quarentona, esposa do Paulo, mãe do André e da Bárbara, professora, pesquisadora e aprendiz de escriba, sou, acima de tudo, uma mulher que se respeita, respeita as marcas do tempo e tem alegria de viver, mesmo não sendo a vida nada fácil. Prosear sobre tudo isso com você, Edna Medici, foi muito especial. Momentos assim devemos celebrar em nossos corações, são alimento para as tardes que talvez venham e não sejam tão especiais.
As fotos aqui postadas não são as que fizemos para o livro (elas estão guardadíssimas). Quando terminou as fotografias para meu trabalho, a fotógrafa fez este registro. Estas são a marca da delicadeza e generosidade da fotógrafa.
Desejo de todo coração para você, Paz e Bem!
Convido-os, caros amigos, a se encantarem com o trabalho desta artista.
Sônia Gabriel
www.ednaperfeitamenteimperfeita.blogspot.com.br
Coluna Crônica Jornal de Caçapava: A lenda da borboleta - final
(Jornal de Caçapava, 14 de junho de 2013.)
Escutou durante horas a borboleta contar das paisagens distantes, dos bichos que elas, as roseiras lindas, bem cuidadas, zeladas e protegidas, ignoravam. Eram tantos animais, tão diversos, tão antigos. Grandes, pequenos, selvagens, domesticados. Eram tantas plantas, muito mais flores que estas que ali se espreguiçavam. “Há mais flores que se possa contar, tão coloridas, tão perfumadas quanto vocês”, argumentou perplexa.
A roseira sem espinhos, especialíssima, não conseguia acreditar que algo mais especial que ela pudesse existir. O jardineiro sentiu pena. Doeu-se por ela. A culpa tomou-lhe a alegria, tinha feito daquela roseira a mais importante, ela era fruto de sua vaidade, cresceu entendendo que era mais bela entre as belas e sequer supunha belezas além de si.
A borboleta então indagou: “as abelhas nunca lhes contaram?”, as roseiras reclamaram que as pequeninas nunca paravam, apenas lhes sugavam das flores a essência e partiam, sempre agitadas, sempre trabalhando, nem um tempinho para conversar, nenhum carinho em retribuição. “Mas e os humanos?”, insistiu a borboleta. “Que nada, também não conversam conosco. Falam entre si, falam de nossa beleza, de nosso perfume, nos colhem, nos presenteiam, mas não falam conosco”, responderam as roseiras.
O jardineiro, silencioso, pensou, coçou a barba adiantada com mãos calejadas pelos espinhos, escurecidas pelos estrumes, mas mesmo assim delicadas como a roseira lisa. Cavoucou por entre os fios grossos desalinhados e embranquecidos. Teve medo da ignorância que regava em seu jardim, naquele Vale Encantado. Levantou-se, não espantou mais uma borboleta, caminhou até a cerca, sossegado, com o tempo por companhia agradável foi tirando bambu por bambu, os ventos tão antigos tinham resistência a menos e abraçaram as roseiras com ou sem espinhos. Os bichos viriam também, viriam sim.
O jardineiro agradeceu por suas roseiras, pelo inconformismo da borboleta e pela desistência dos bambus.
Sônia Gabriel
Blog sobre Ruth Guimarães e José Botelho Netto
Conheçam o blog Retratos e Crônicas:
Vida e obra da escritora Ruth Guimarães e do fotógrafo Botelho Netto.
Vocês vão se encantar...
Semana do Livro Nacional - São José dos Campos
Caros amigos, segue a programação da Semana do Livro Nacional.
Está muito bem organizada e valerá a pena prestigiar.
Participem!
Dia 27 de julho de 2013, sábado, venham para uma prosa comigo e se deleitarem com a contação de histórias de Cíntia Moreira e o grupo Fiandeiras da Palavra.
Até lá...
Paz e bem!
Sônia Gabriel
Algumas imagens...
Imagens: Fiandeiras da Palavra
Imagem: Wilson R.
A todos, obrigada!
Paz e bem!
Sônia Gabriel
Coluna Crônica Jornal de Caçapava: A lenda da borboleta.
(Jornal de Caçapava, 07 de junho de 2013.)
Era o jardim mais bonito do Vale Encantado. O jardineiro, muito atento, conhecia cada uma de suas roseiras. Ele amava apenas as roseiras. Em todo aquele reino verde, o colorido das roseiras era espetáculo impressionante. O cuidadoso jardineiro não permitia uma formiga que fosse. Não havia pragas e apenas as abelhas podiam entrar. O sábio tinha aprendido como fazer as mudas, como ajudá-las a crescerem fortes, como variar as cores. As flores que ali se abriam, em nenhum outro jardim existiam.
Vinham visitantes de todos os outros vales, do mundo todo, pois o mundo é um encontro de vales, pensava o jardineiro. Uns mais longos, outros mais úmidos, outros mais verdes, sempre vales. Durante as visitas, o jardineiro estava sempre vigiando, nenhuma flor poderia sair dali, nenhum espinho atacado, e ela, a roseira branca no centro do jardim, nem ao menos deveria ser tocada. A roseira branca não tinha espinhos, nenhum sequer, precisava de proteção. Era a preferida do jardineiro que lhe dedicava mais tempo e cuidados. Todas as roseiras do jardim a admiravam.
Naquele dia, depois que todas as visitas se foram, o jardineiro exausto de tanto vigiar suas roseiras, sentou-se no gramado e relaxou. Foi então que viu, mesmo distante, uma borboleta. Ela deslizou seu voo pelo jardim, passou de roseira em roseira, seguida pelo curioso jardineiro. As asas coloridas foram driblando galhos, rosas amarelas, vermelhas, negras, azuis... Até que, diante da roseira mais alta do jardim, a branca, pousou.
Todas as outras roseiras ficaram encantadas com o desenho colorido daquelas asas. Uma se atreveu a comentar: “Que abelha mais diferente”; algumas silenciavam tentando entender, outras riram sem nada entender. A borboleta, vendo que aquelas belas flores não sabiam o que ela era foi logo avisando toda sua biologia. Onde já se viu flores que não conhecessem borboletas?
O jardineiro, muito curioso com o diálogo, se acomodou no gramado e escutou...
(continua)
Sônia Gabriel
Assinar:
Postagens (Atom)





























.jpg)





