sábado, 26 de janeiro de 2008

Jornal Tribuna do Norte - Pindamonhagaba





Acabo de ler, pela Internet, a coluna de Altair Fernandes, no jornal Tribuna do Norte. Ele escreve sobre a história e cultura da cidade. Foi através de um texto dele que consegui material para o livro Mistérios do Vale. Leiam, acompanhem, é material para nossas pesquisas e estudos e para sabermos mais sobre a região valeparaibana, segue um trecho de seu texto... e o site do jornal.


Em 1906 o palacete Tiradentes, prédio da Câmara Municipal, abrigava duas seções eleitorais
Altair Fernandes
Em 1901, quando a Câmara Municipal ocupava somente a parte superior do palacete Tiradentes - no térreo funcionava a cadeia pública - os vereadores se reuniram e, com a intenção de aumentar o número de eleitores de Pindamonhangaba, dividiram o território municipal em quatro seções de alistamento eleitoral.
Na edição de 21/4/1901 do jornal Tribuna do Norte encontramos a publicação referente a esta iniciativa, na qual o presidente da Câmara, o coronel Joaquim Marcondes Homem de Mello, divulgava os cidadãos que seriam os membros efetivos e suplentes das comissões encarregadas do alistamento, assim como os locais onde funcionariam as seções de trabalho.
Os eleitos para tal finalidade estavam convidados a se reunir naquele dia (21 de abril), às 10 horas, para dar início aos trabalhos que “deveriam ser executados em dias sucessivos durante o prazo de 30 dias".

O restante está no:

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Coluna Crônicas do Jornal Valeparaibano - Crônica para meu filho




(Em 28/05/2003)

Tinha sentido tanta dor que imaginava ter morrido, aquele alívio estava tão bom que nem me mexia. Em toda aquela escuridão, ouvi uma voz me chamando. “abra o olho, coragem mulher, abra o olho e veja seu filho”. Não queria abrir, estava tão gostoso não sentir dor alguma, um cansaço me dominava, então escutei, ele chorava, um choro forte, de emergência.
Quando o vi, não sei o que senti, estava sujo, de cabeça para baixo, gritando, era tão pequeno que parecia que não poderia sobreviver. Colocaram-no sobre meu corpo e eu tinha medo de abraçá-lo e quebrá-lo. Tremíamos de frio naquele junho de 1998. Ficamos a manhã toda encostadinhos um no outro, eu contei para ele que no dia em que soube estar grávida quase bati o carro, cortei o dedo quando tentava abrir um litro de leite e cai, literalmente, de bunda no chão. Tudo isso num único dia, o pai desesperado, chegou a pensa que eu não sobreviveria.

Estava tão longe de tudo, tão acima do mundo real, que não pensei no quanto engordaria, nos enjôos que sentiria nas roupas que não me caberiam mais, na dor que quase me enlouqueceria, mas tudo isso também chegou, e eu estava lá, de alma renovada, cheia de esperança, comovida com o mundo e com toda a sua criação... Tudo era capaz de me fazer chorar, o tempo parecia não passar, e nem as ultra-sonografias eram capazes de me aquietar.

Queria vê-lo, passava horas cuidando do quartinho, das roupas, tentando imaginar como seria, com quem se pareceria, como o chamaria, como seria sua voz e o que falaria primeiro, que iria ser quando crescesse ... E ele já estava lá comigo, e eu falava sem parar, como se ele pudesse me entender, nem os olhos ainda abria, mas eu já lhe dizia que o amaria para sempre, e que ele nem imaginava o privilégio que tinha tido, pois eu seria a melhor mãe do mundo, e que ele nunca se arrependeria de ser o meu filho.



Feminino esperar

Você nem existe ainda
E eu tenho certeza do bem que me fará
Que cruel destino
Quero lhe impor meu pequenino
O de me fazer o que ninguém conseguiu,
Nem mesma eu,
Que tarefa árdua
Trazer paz ao meu inquieto coração!
Quando olho no torto olhar
De seu ansioso progenitor
Tenho a súbita esperança
De uma completa felicidade.
Você nem existe ainda
E eu sei o bem que me fará...
O homem que tenho diante dos meus olhos precisa continuar.

Sônia Gabriel


quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Mistérios do Vale no Papo Vanguarda...




Domingo, dia 20, no Papo Vanguarda, vamos conversar um pouco sobre os Mistérios do Vale.
Espero que gostem. Ah! o profissionalismo da galera é de primeira, o bom humor também. Valeu a torcida do Vinícius Novaes, do Valeparaibano. Obrigada a todos.


Paz e bem! Sempre, para todos nós.
Sônia Gabriel


Não disse que a galera é simpática mesmo!


sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Livro cita Mistérios do Vale



O livro Metodologias Diversificadas para o Ensino da História Local: Vale do Paraíba da Professora Doutora ANA ENEDI PRINCE, editado pela Cabral Editora e Livraria Universitária, 2006, cita em suas referências bibliográficas o projeto Mistérios do Vale e há nele atividades desenvolvidas pela professora com lendas e casos do Vale do Paraíba que estão no livro Mistérios do Vale.

Foi uma grande alegria ler o livro e saber que este levantamento está sendo aproveitado por outros pesquisadores. Já li o livro todo e vale utilizar as sugestões de trabalhos da autora que cita também artigos de Francisco Sodero Toledo.
Ana Enedi Prince é coordenadora do Curso de Pedagogia e professora de Planejamento e Ensino de História e Estudos Regionais dos Cursos: Normal Superior e Pedagogia da UNIVAP.
É Doutora em História pela Universidade de São Paulo e possui ampla experiência em docência em Ensinos Fundamental e Médio da Rede Pública do Estado de São Paulo.

Sônia Gabriel




segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Mistérios do Vale e Matemática?


Pois é, quem diria não! Professoras da Escola Estadual Dr. Rui Rodrigues Dória - São José dos Campos realizaram um projeto envolvendo Matemática e Português e utilizaram as lendas do livro Mistérios do Vale. A matéria abaixo foi publicada no Vale Educação, Jornal Valeparaibano, em 05 de dezembro de 2007. Vale a pena ler.



Agradeço a confiança em meu trabalho e principalmente o fato de saber que os alunos estão curtindo o livro.

Sônia Gabriel

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Memória 3




No Valeparaibano de hoje (11 de dezembro) Vinícius Novaes, da Coluna Memória, encerra a série sobre os mistérios do Vale do Paraíba. Gentilmente ele faz citação ao nosso projeto de pesquisa. A matéria está muito boa e conta mistérios de Lavrinhas, Areias e Bananal. Vale a pena conferir...

Sônia Gabriel


Fonte: www.valeparaibano.com.br
Acesso em 12/11/2008
Fantasmas do Vale Histórico
Vinícius Novaes

A primeira história da coluna de hoje é um milagre. Diria um milagre romântico. E bem atípico para a época, diga-se de passagem. É o milagre de Nossa Senhora dos Pobres, que aconteceu entre 1880 e 1890.Lá em Lavrinhas, uma bucólica cidade que cresceu às margens do rio Paraíba, Ana Etelvina ia se casar com um homem que estava longe de ser a sua grande paixão. Para acabar com o descontentamento, a mucama que trabalhava diariamente com a moça começou a rezar para a santa.Por incrível que pareça, tudo foi como a vontade da escrava de Ana Etelvina. No dia do casamento, a moça estava linda e triste. Ao vê-la daquele jeito, seu pai a perguntou o motivo da infelicidade. Ela contou e o casamento foi cancelado. "Aquilo era um absurdo para a época. O noivo, todo envergonhado, fugiu da cidade", disse a historiadora Sônia Gabriel. Anos mais tarde, Ana Etelvina casou-se com José Avelino da Silveira, sua grande e verdadeira paixão."O grande mistério é que a imagem desapareceu. Depois de um tempo, a imagem chegou a ser mandada para a Universidade de São Paulo, onde seria restaurada. Desde então, ela nunca mais foi encontrada", contou a pesquisadora.OUTRA FESTA - Essa história é do tempo da escravidão. Conta-se que na fazenda Coqueiros, em Bananal, estava acontecendo uma grande festa para os convidados do Bãrão e da Sinhá. No dia da festa, uma escrava entrou em trabalho de parto na senzala. O caso foi complicado. Ela morreu.A Sinhá, muito aborrecida com o fato, mandou os empregados enterrarem o corpo da escrava embaixo da soleira da porta da cozinha. Porque, de acordo com ela, ali era o lugar da pobre da escrava. Além disso, a Sinhá queria que isso servisse de exemplo para os outros escravos. E decretou que era proibido morrer em dia de festa."Até hoje é preciso pedir licença para a escrava quando for passar da cozinha para o quintal. É uma forma de respeitar a escrava que descansa naquele local", afirmou.FAROL - Agora, feche os olhos e imagine a seguinte situação: você andando de carro por uma estrada bem deserta. À noite. Tudo está bem calmo. Tranqüilo. Lá fora, só o canto da coruja. O céu estrelado e a lua cheia. De repente, um farol surge do nada. Você tenta desviar daquele negócio, mas não consegue. Algo assustador no meio daquela estrada.Foi isso que aconteceu com o seo José e dona Alcina, que seguiam para Areias pela Rodovia dos Tropeiros. O casal via sempre faróis amarelados, que brilhavam intensamente em pontos da estrada. A principal explicação para o acontecimento sobrenatural era um caminhão que circulava pela região do Vale Histórico na época da Revolução de 1932, que carregava fantasmas de soldados mortos no combate."Outra explicação para o fato é de um fazendeiro de Silveiras que teria feito uma promessa de ir a pé até o Santuário Nacional de Aparecida. Só que ele teria morrido antes de pagar a promessa. E até hoje o seu fantasma fica lá à espera de alguém para dar uma carona", contou a historiadora Sônia Gabriel.E parece que o fantasma do senhor ainda continua lá. Ele só vai sair da estrada quando alguém resolver dar uma carona até Aparecida. A propósito, você se habilita?


Escravo 'vive' em caverna na Bocaina São José dos Campos
Até a Serra da Bocaina tem uma história que é de arrepiar...Isso aconteceu há mais ou menos 200 anos. Uma caravana de caçadores, vinda do sul de Minas Gerais, se abrigou em uma das cavernas. Naquela noite estava muito fria e um escravo, meio idoso, estava se queixando de frio. "Deus me acuda... Voumembora se esse frio continuar".O chefe da expedição ordenou que o escravo colocasse um couro de boi nas costas para se aquecer. Ele deitou-se no chão e cobriu o corpo inteiro. No meio da noite, os expedicionários acordaram com gritos assustadores. Quando se levantaram, o escravo não estava mais lá.Tem gente que garante de pé junto que até hoje o fantasma do escravo continua por lá. Às vezes, é possível ouvir aqueles gritos bem horripilantes..."Deus me acuda... Voumembora se esse frio continuar".



Vale do medo
Ter conhecido um outro lado do Vale do Paraíba foi mais do que gratificante. Saber que existem mistérios ainda hoje -- num tempo em que todos pensam com a cabeça da tecnologia -- foi algo surpreendente. Aliás, tão surpreendente como a história de Nhá Ritinha, que ainda permanece viva no imaginário dos mais simples do bairro de Santana, em São José dos Campos.Isso sem falar na lenda do "Homem da Capa Preta", que arrepia os cabelos dos moradores de Jacareí. A "loira da Via Dutra" que põe medo até mesmo nos caminhoneiros mais corajosos. O "corpo seco" do bairro da Pedra Branca, em Taubaté. Ah, lembre-se: se encontrar com um desses por aí, ande com as costas viradas pra criatura, pois ele pode pular em você!Confesso que me diverti bastante com essas lendas. Muito mesmo. Nas minhas longas conversas com a historiadora Sônia Gabriel, autora do livro "Mistérios do Vale" (Jac Editora), bateu aquele medo. Até o timbre da voz mudava quando o assunto era os fantasmas, o farol misterioso na Rodovia dos Tropeiros...Enfim. Ainda bem que os "causos" ainda permanecem vivos na lembrança das pessoas. A riqueza da história, dos detalhes, da imaginação... Tudo é bom. Se é verdade ou não, pouco importa. Neste caso, o mistério vale mais do que a certeza.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Programa Sabor de Vida! TV Aparecida




Pronto... Passou o nervoso. Gente, não adianta, a gente não se acostuma, as pernas tremem, a barriga gela, mas é muito legal. Agradeço as meninas poderosas Bete Ribeiro e Josi, do programa Sabor de Vida - TV Aparecida,  pelo convite e por tentarem me deixar tão à vontade. O pessoal todo é muito simpático. A Josi é tudo de bom: alto astral, atenciosa e delicada com meu filho e vocês sabem agradou o filho, adoçou a mãe. Gostei muito. A única coisa que não foi legal foi vir embora com aquele cheiro delicioso que estava na cozinha da Dora.

Meninas,
Paz e bem! Obrigada de coração.

Sônia Gabriel



terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Memória 2




Continua na Coluna Memória, do Jornal Valeparaibano, o especial sobre as lendas e fantasmas do Vale do Paraíba. A edição de hoje está muito legal, Vinícius Novaes escreve sobre os mistérios de São José, Taubaté e Jacareí. Confiram...

Sônia Gabriel

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Memória 1



A coluna Memória, do Jornal Valeparaibano, publica toda semana uma matéria sobre o patrimônio do Vale do Paraíba: material, imateria, e eu diria ainda humano... Acompanho os textos e inclusive, utilizo em sala de aula. Semana passada, Vinícius Novaes, autor da coluna, publicou sobre as lendas de Santa Branca e citou nosso projeto Mistérios do Vale. Vale a pena ler, a matéria saiu dia 27 de novembro de 2007. Para ler no site é só acessar www.valeparaibano.com.br
Para conhecer mais lendas, leia o Mistérios do Vale: histórias que o povo conta no Vale do Paraiba e Serra da Mantiqueira, de Sônia Gabriel!
Divirta-se...


sábado, 24 de novembro de 2007

Programa Ponto de Vista TV UNIVAP



Uma das vantagens de ser professora é conviver mais próximo dos mais jovens, eles estão sempre antenados, e, aquilo que você nem imaginou é muito claro para eles. É galera, a gente também aprende! Eles estão sempre me dando idéias, sugestões para este espaço. Não tinha fotografia de meu encontro com o Anderson Cruz no programa Ponto de Vista que é produzido na TV Univap, a galera resolveu. E ficou muito bacana, acatei... No encontro, conversamos sobre a realização da pesquisa para a produção do Mistérios do Vale.

    Agradeço ao Anderson e aos jovens que realizam o programa, tem muita gente jovem antenada com o Vale do Paraíba em toda sua diversidade.

Sônia Gabriel

Saiu no jornal 2: Informação, Família e Cidadania.



Sociedade da Informação
Valeparaibano, 04 de setembro de 2003.


Alguns estudiosos chamam de Terceira Revolução Industrial o processo que altera as formas de trabalho humano repetitivo.O novo período denominado "Sociedade da Informação" deveria oferecer possibilidades de um desenvolvimento humano voltado para a criatividade e autonomia, além de um senso crítico apurado para aproveitar tanta informação.Toda essa possibilidade deve ser trabalhada na escola. Se a educação não tem mais por objetivo apenas o mercado de trabalho das linhas de produção ou as rotinas burocráticas, estamos, enquanto instituição, educando para quê?Essa questão é quem tem preenchido o cerne das discussões e estudos, justifica-se a angústia dos professores e a indisciplina dos alunos por não ter-se ainda alcançado o âmago de uma resposta.Trazer para a escola a responsabilidade de criar oportunidade de trabalho habilidades e competências, englobando qualidades humanas (afetivas, sociais, éticas) é a ordem do dia, no entanto traz a preocupação moral de estabelecer-se parâmetros de uma ética universal e preparar os professores para lidarem com tais questões isentando-se de possíveis valores pessoais que alterem, de forma negativa o envolvimento profissional com seus alunos.Numa rede de escolas do tamanho da rede pública de São Paulo, por exemplo, e as condições de trabalho que são oferecidas, essa preocupação deve ser ainda mais pertinente.As oportunidades de estudo e discussão desses temas não podem ser preteridas pelos profissionais da educação.Uma visão coerente do que é educação e trabalho depende dos profissionais da área e a luta não é fácil, haja vista o que está sendo feito com o entendimento dessas questões.A formiguinha trabalha e muito e não é menos importante na sociedade do que as possíveis cigarras que só lêem. A realidade e a justiça social dependem de quem vivência o quanto é árduo o trabalho intelectual e não apenas uma estratégia de manipulação dos que dependem do trabalho braçal para sua sobrevivência.Não podemos nos entregar a mais uma via unilateral, ensinávamos para as linhas de produção e burocracia, e o resultado está no nosso dia-a-dia, não podemos vestir a camisa de mais uma mão única. Eduquemos conscientes de que a informação ainda não chega a todos e transformá-la em conhecimento até os professores ainda estão aprendendo, eduquemos com a responsabilidade de quem não cria novas tendências ou modismos, mas confiantes nas verdades, para tanto há estudiosos sérios, pesquisadores responsáveis e nossa boa vontade de nos aprimorarmos sempre.

Sônia Gabriel, São José dos Campos


Paz nos Lares
Valeparaibano, 16 de outubro de 2003.


Os últimos acontecimentos envolvendo a violência em nossa região nos trazem uma enxurrada de questionamentos.As passeatas e movimentações que estão ocorrendo demonstram que o povo não suporta mais, teme assaltos, teme a morte em consequência de furtos, dissabores, envolvimento de filhos e ou parentes com drogas, enfim, em poucos minutos de conversa é possível diagnosticar o sofrimento e medo da sociedade. A violência se torna mais que a consequência dos problema sociais e econômicos, ela já é chamada de epidemia.A questão que quero plantar, sim, plantar, pois se necessita da sabedoria da natureza para entender, todo um percurso até a chegada, enfim, das respostas, é a semente da "minha parte".A violência, muitas vezes é a companheira de berço de nossos filhos. O que eles crescem vendo? Brigas e agressões físicas no lar, na televisão, na rua. O que eu faço para que a rotina de meus filhos se preencha de paz, reservo uma hora para conversarmos?Evito os palavrões e as agressões aos membros de minha família? Convido os amigos de meus filhos para frequentarem nossa casa? É preciso estar presente. As fotos que os meios de comunicação publicam nos mostram rostos com 18, 19 anos. É muito pouco tempo para perder-se um filho. É urgente que se transforme num hábito estar presente na vida de nossos filhos, caminhar com eles, para que não precisemos caminhar com eles em passeatas pedindo paz. A paz pode se tornar um hábito, do mesmo jeito que a violência já está se tornando.

Sonia Gabriel, São José dos Campos


Conhecimento e Cidadania
Valeparaibano, 19 de dezembro de 2003.




Em outubro recente, aconteceu em São Paulo o 1º Congresso Internacional de Educação, cujo tema de discussão foi a qualidade na escola. Estiveram presentes pensadores, articuladores e educadores conceituados no Brasil, Espanha e Portugal. O ponto forte e ansiosamente esperado por grande parte dos educadores presentes foi a fala de José Saramago. Longe de querer nos impor uma receita ele nos deu uma aula de cidadão do mundo, relatou-nos o que assiste em suas viagens e nos preencheu de elementos para a interpretação de nossa própria verdade.O grande dilema da Educação é separar educação de instrução. Instrução, segundo a essência da palavra, é: ato ou efeito de instruir-se, instruir é transmitir conhecimento, ensinar, esclarecer; também podemos encontrar no dicionário que a palavra significa adestrar, e isso, estamos nos aprimorando para evitar, queremos um ser humano, um cidadão capaz de ter criatividade, criticidade, responsabilidade, iniciativa, nossa escola dá conta disso? Sim, não só pode dar conta disso como começa a caminhar para isso. Como? Revendo seu papel dentro da sociedade. Atualizando-se, não aceitando enlatados e fórmulas que já não funcionam em outros países e tenta-se introduzir no Brasil.Não são poucas as questões que permeiam o trabalho do educador, mas deixamos aqui mais uma: para formar um cidadão com todos os conceitos que debate-se é preciso a coragem de saber que as vezes falta algo, e o conhecimento não pode ser preterido, as atitudes, o comportamento, a postura, são elementos essenciais para o encontro da cidadania real e positiva, mas o conhecimento é nossa mais profunda e eficaz arma para sua construção, não se forma cidadãos sem o conhecimento.





Sônia Gabriel e Alessandra Rosa são educadoras e pesquisadoras em São José


Saiu no Jornal - Por falar em Educação...


Assunto sempre em pauta, esta semana escrevi, no diário de nosso grupo de estudos (Oficina de Saberes), que algo vem por aí a respeito da Educação, que do jeito que está não pode continuar, já venho dizendo faz tempo...

Progressão Continuada
Jornal Valeparaibano, 09 de maio de 2003.

A Progressão Continuada, modelo adotado pela rede oficial de ensino no Estado de São Paulo, é um assunto pra lá de polêmico e foi objeto inclusive de ampla discussão no último ano eleitoral. Deixando de lado todo o repertório erudito da questão, e que, aliás, até se tenta entender, temos aqui algumas considerações pertinentes e que vamos tratar no senso comum. Alguns pais nos questionam, desesperados, acerca da burocracia da questão: "como se pode aprovar para a série seguinte um aluno que não está em condições de acompanhar esta nova série?". Esta questão é a que está em discussão entre governo, escola, pais, teóricos da educação no momento. E que se espera não tarde tanto mais. A outra é como os educadores permitem que alunos cheguem à quarta série sem saber ler e escrever. Bom seria se fosse tão simples assim, trocaríamos os educadores e pronto. Mas não é. Há pouco escrevi aqui sobre a deficiência na formação de educadores, as queixas que alguns colegas estudantes fazem a respeito da falta de professores capacitados nas faculdades. Quando formados, depararam-se com salas de aulas lotadas, alunos desmotivados ('para que me empenhar, vou passar de ano mesmo?') e que ainda carregam esse conceito do estudar apenas para passar de ano. Filhos carentes de pais subempregados que acabam tendo que se desdobrar para manterem suas famílias. Famílias desestruturadas que geram filhos inseguros diante da vida. O desemprego estrutural que cria em nossos filhos uma falta de expectativa 'para quê estudar, tem tanto advogado, engenheiro que não consegue trabalhar...'.Professores, sim, cansados depois de tantos anos de trabalho, serem ainda mal remunerados e desvalorizados pelo governo e pela sociedade. Bom, percebe-se que o assunto não é tão simples assim. O momento histórico que vivemos em nosso país é extremamente complexo e são necessárias mudanças urgentes. A educação, sem dúvida nenhuma, é o pilar de sustentação dessas mudanças, há muito que fazer. A sociedade deve e precisa conhecer melhor as leis, como são feitas e às vezes impostas e deve continuar opinando. Saber como funciona a escola de nossos filhos, nos permitirá compreender melhor o trabalho dos educadores e suas posições diante de assunto como, por exemplo, a 'Progressão Continuada', e ainda distinguir os verdadeiros heróis (como já mencionei anteriormente) dos "outros" que trabalham com nossos filhos.

Sônia Gabriel, São José dos Campos

A Nossa Parte
Jornal Valeparaibano, 13 de junho de 2003.

A jornalista Rosana de Castro sintetizou muito bem em seu artigo publicado na terça-feira o que está sendo viver em nosso tempo. Os questionamentos que fez estão em nossas cabeças todos os dias, nos angustiam e acabam por deixar em nossa sociedade marcas que não sabemos quando serão sanadas.Por uma série de motivos a vida para mim, urge; apaixono-me pelo elementar, particularmente, tenho convicção que nossa complexidade está nos levando ao caos, mesmo assim, penso e difundo que nossa reação é a mais importante, não que o governo não tenha que fazer nada e quanto a isso a sociedade se organiza, luta, cobra. Mas a nossa indignação não pode ser verbal e pronto, nem nossas atitudes passivas porque o problema é maior que nós.Tocou-me muito o texto da jornalista quando ela menciona palavras de sua mãe. E é aí a fonte de nossas esperanças. Somos o espelho de nossos filhos, salvo raras exceções.Planejar se teremos filhos ou não é imprescindível, ter certeza dos sentimentos em relação a esses filhos e as condições de criá-los e educá-los também. Não estamos dando conta, estamos culpando a escola, como se ela tivesse a obrigação de educar nossos filhos, culpamos os problemas sociais, temos que trabalhar demais por isso não temos tempo. Tudo isso também é fato, mas não nos redime.Precisamos rever nossa condição de pais, a receita de nossos pais têm falha, mas não são descartáveis, afinal estamos aqui. A fase de transição que estamos vivenciando em relação ao o que é uma família, quem compõe uma família, como vive, onde e como mora, são fatos, mas não pode nos impedir de nos dedicar aos nossos filhos, afinal transformações ocorrem, mas responsabilidade e amor devem permanecer.

Sônia Gabriel é pesquisadora e professora de História e Sociologia em São José

A Tarefa de Educar
Valeparaibano, 27 de junho de 2003.

Tive o privilégio de assistir a uma palestra com Luiz Henrique Beust, integrante do Anima Mundi, um instituto de desenvolvimento social preocupado com a educação para a paz. O tema tratado é aquele, aparentemente batido, que nós já estamos cansados de ouvir e debater: o que é o homem?Lembrei-me de um texto lido que foi oferecido por Ivone Weiss, ilustre filósofa e professora, onde se tentava desvendar o que é o homem em suas diversas e complexas dimensões. Nós, da Educação, temos como maior desafio saber com quem estamos trabalhando. Beust trata de um velho dilema com uma argumentação tão lógica e científica que nos enche de esperança. A transição histórica porque passa o homem contemporâneo o coloca constantemente em cheque, vive no inconstante, revolucionário e tumultuado mundo material onde o que é moderno hoje pode ser ultrapassado em questão de meses, e, pensa num conhecimento ainda atrelado aos moldes tradicionais e elitista de ser.Nosso apego como detentores do conhecimento nos distância de nossos alunos. O acúmulo e rapidez com que a informação chega até eles não são acompanhados por nossa insistência em mantermos nossa sabedoria como definitiva. A sociedade ocidental contemporânea se organizou nos moldes da Revolução Industrial e não se sustenta mais. As mudanças que ocorrem atualmente no mundo do trabalho estão gerando em nossos alunos uma angústia em relação ao conhecimento. Para que estudar se estamos diante de um desemprego estrutural? A inconstância, a indisciplina, a passividade são reflexos.A resposta para tantas questões está no ser. Sabiamente Beust coloca: "o homem não é o lobo do homem, o homem não é uma tábua rasa", o homem é um rocambole! Há em nós o material, o espiritual, há em nós uma consciência que não pode ser esquecida, essa consciência é que sustenta uma ética universal de respeito ao homem enquanto ser e que precisa de resgate.Na era onde impera a informação, o conhecimento precisa alcançar mais. O homem precisa ser respeitado como um todo, materialidade e espiritualidade.As mudanças de mentalidade são lentas e na escola urge que se alterem, nosso papel é mais, o conhecimento que transforma o homem não consegue ser trabalhado apenas com conteúdos e nossos conteúdos não dão conta desta tarefa. O que é essencial está sendo chamado de transversalidade, já é um ganho, mas não dá conta, se for esporádico. O educador tem autonomia e competência para também levar para sala de aula de maneira consciente noções de valores que correspondam às necessidades de nossa sociedade na elevação benéfica do ser humano.Para aqueles que conseguem desempenhar com maestria e humildade seu papel de educador, mesmo diante do panorama social atual, a tarefa será árdua, mas não impossível.

Sônia Gabriel, São José dos Campos